In Dubio Pro Societate na “Nova” Lei de Improbidade Administrativa e suas Inconstitucionalidades
Resumo
Este trabalho analisa as alterações introduzidas pela Lei nº 14.230/2021 na Lei
de Improbidade Administrativa (LIA), originalmente promulgada em 1992, e suas
implicações jurídicas. Com a reforma de 2021, a LIA so1freu mudanças significativas,
incluindo a exclusão da suspensão dos direitos políticos e a limitação das multas civis,
o que gerou debates sobre sua constitucionalidade. Um dos focos deste estudo é a
análise do princípio "in dubio pro societate", que sugere a favorabilidade à sociedade
em casos de dúvida, e sua aplicação antes e após as alterações legislativas. A nova
lei trouxe uma possível transição para o princípio "in dubio pro reo", privilegiando a
proteção dos acusados. A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7236,
atualmente em análise pelo Supremo Tribunal Federal, pode reverter algumas dessas
mudanças, tendo já suspendido provisoriamente várias disposições da nova lei. Este
trabalho também destaca a importância da LIA no combate à corrupção, ao mesmo
tempo em que ressalta a necessidade de que as medidas de responsabilização
respeitem os direitos fundamentais constitucionais dos agentes públicos e terceiros
envolvidos. A análise das inconstitucionalidades presentes na Lei nº 14.230/2021 é
crucial para determinar a aplicabilidade futura dos princípios de "in dubio pro
societate" e "in dubio pro reo", buscando um equilíbrio entre a proteção do patrimônio
público e os direitos individuais.